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Não consigo ver nada! Passando por momentos difíceis na vida

Comentário ao Evangelho de domingo, 25 de fevereiro de 2024

Segundo Domingo da Quaresma – ano B

Desça, Pedro; você queria descansar na montanha:
sair; pregar a palavra de Deus [...]
Trabalhar, estar muito cansado, aceitar até o sofrimento e a tortura para que, através da franqueza e da beleza das boas obras,
que você possua na caridade o que é simbolizado
na brancura das vestes do Senhor

Santo Agostinho,Discurso78, 6

Dentro da nuvem

Ao viajar por um caminho de montanha, você pode se encontrar dentro de uma nuvem ou de um banco de neblina. Nesse ponto fica difícil seguir em frente, você perde toda referência ao que está ao seu redor. Você sente o perigo, você se sente sozinho, perdido. Também na vida acontece que passamos pela nuvem, quando não entendemos mais para onde Deus nos leva, não podemos avançar sozinhos, só podemos esperar que o Senhor nos tire.

Entregando o futuro

Até Abraão talvez se tenha sentido numa nuvem escura quando o Senhor lhe pediu que lhe oferecesse o seu único filho. O Deus que Abraão aprendeu laboriosamente a conhecer agora torna-se novamente incompreensível.

Foi o próprio Senhor quem lhe prometeu descendência, um filho que nunca veio, o medo de que essa promessa fosse apenas uma ilusão. Então finalmente a promessa se cumpre, o filho chega, há um futuro também para Abraão. Mas agora Deus pede a Abraão que lhe dê esse futuro, que sacrifique aquele filho. Assim como uma vez lhe foi pedido que renunciasse ao seu passado, isto é, ao seu pai e à sua casa, agora lhe é pedido que devolva também o seu futuro. Abraão entra na nuvem e obedece.

Coloque as coisas de volta em ordem

Através deste gesto de entrega, Abraão compreende que algo se confundia no seu coração: Moria torna-se lugar de purificação dos afetos! Abraão concentrou-se progressivamente no dom recebido, apegou-se ao seu futuro, expropriou Deus, o doador, do seu coração. O filho tornou-se o centro da sua vida, deslocando Deus da sua centralidade.

Mesmo em nossas vidas, coisas boas como relacionamentos, missão, serviço ou trabalho podem se tornar nossos ídolos, quando nos tornamos escravos deles, não vemos mais nada e não percebemos mais as coisas e os relacionamentos como instrumento de louvor e de gratidão a Deus.

Habitando o mistério

Este gesto de entrega do filho, ou seja, a expropriação mais radical para um pai, é um gesto divino. Na verdade, é o que o Pai faz quando nos entrega o Filho. O território de Moria é de facto identificado com o Calvário.

O gesto de Abraão é uma prefiguração do gesto de Deus. Até no Evangelho de Marcos encontramos uma nuvem, porque esta generosidade infinita de Deus é igualmente incompreensível para nós. Também nós somos chamados a entrar nesta nuvem. Habitando o mistério, ouvimos a voz do Pai, que nos diz a única coisa que importa: “Este é o meu Filho amado: ouvi-o!”.

Além da aparência

Assim como no monte Deus se revela a Abraão como aquele que deseja estar no centro do nosso coração, assim no monte Jesus revela a sua divindade para além da aparência: simtransfigurar, revela-se além da imagem.

Por trás da aparência de acontecimentos incompreensíveis, por vezes objetivamente dolorosos, por trás de situações de injustiça ou cansativas, que lutamos para compreender, Deus revela-se, mostra-nos a sua presença misteriosa. A nuvem indica aquelas situações que são mais que incompreensíveis, mas são um mistério, um mistério que, se habitado, nos faz ouvir a voz do Pai.

A Palavra ilumina

Na nuvem você pode reconhecer a voz do Pai, se ouvir a sua Palavra. Na verdade, Jesus dialoga com Moisés e Elias, o primeiro foi considerado o autor da Lei, ou seja, dos primeiros livros da Sagrada Escritura, o segundo é o profeta por excelência.

No Evangelho, ouvimos muitas vezes esta expressão,a Lei e os profetas, para indicar toda a Palavra de Deus, que nos ajuda a reconhecer a presença do Senhor mesmo dentro da nuvem. Moisés e Elias também são os dois personagens cujo retorno teria indicado a presença do Messias.

Sem possuir

Quando conseguimos sentir a presença de Deus dentro dos acontecimentos cansativos da vida, o nosso desejo é exatamente o de Pedro, gostaríamos que aquele momento nunca acabasse, gostaríamos de fazer cabanas para ficarmos ali para sempre.

Jesus, pelo contrário, pede a Pedro que confie, porque aquela consolação é um dom e não pode ser negada. O Senhor voltará para nos consolar, não precisamos tentar em vão tomar posse da presença de Deus.

Pelo contrário, a experiência da consolação deve ser anunciada: Pedro e os discípulos são convidados a descer para dar vida à sua experiência, ainda que em silêncio.

leia por dentro

  • Como você reage quando a vida te leva por nuvens que não te deixam ver o caminho?
  • O que ouvir significa para você hoje filho?

Cortesia © ♥ Padre Gaetano Piccolo SJ

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